sábado, 29 de maio de 2010

REPRESENTAÇÕES DE APOLO


As estátuas e pinturas de Apolo o mostram um homem jovem, no auge de sua força e beleza. Muitas vezes está nu, ou veste um manto. Pode trazer uma coroa de louros na cabeça, o arco e flechas, uma cítara ou lira nas mãos. Às vezes a serpente Píton também é representada, ou algum outro de seus animais simbólicos, como o grifo e o corvo.


Nas pinturas e mosaicos pode ter uma coroa de raios de luz ou uma auréola. Suas primeiras representações conhecidas datam do século VIII-VII a.C., onde ele aparece esquematicamente, sob a forma de um pilar cônico de pedra, sob o epíteto de Apolo Aguieus, o protetor dos caminhos, ou na forma de uma herma, uma coluna provida de cabeça, mãos e pés, somente.


Em Esparta foi encontrada uma imagem única, desaparecida em tempos modernos, um relevo que o representava com quatro braços e quatro orelhas, segurando em cada mão um manto, um ramo de oliveira, um arco e uma patena. Também são conhecidos relatos literários de estátuas primitivas em madeira e estatuetas em bronze.

Representações mais acabadas aparecem em meados do século VI a.C., entre elas uma estátua criada por Dipoenus e Scyllis, seguindo a tipologia abstratizante do kouros do período arcaico, e nesta época ele já estava firmemente associado com os ideais de beleza, juventude, força e virtude sintetizados no conceito da kalokagathia.


De fato é possível que a simbologia apolínea tenha desempenhado um papel determinante na cristalização de toda a tipologia do kouros, e exercido assim uma influência central para toda a evolução subsequente da representação masculina na escultura grega.


Apenas do sítio arqueológico do santuário de Apolo Ptoos na Beócia foram encontrados cerca de 120 kouroi. O Apolo arcaico mais célebre foi uma estátua em mármore produzida por Kanacos para o templo de Dídima perto de Mileto, em torno do fim do século VI a.C. Na invasão persa foi capturada e levada para Ecbátana, sendo devolvida depois. Diversas moedas mostram essa estátua, e possivelmente foi reproduzida em bronze em tamanho menor. O conhecido Apolo de Piombino pode tratar-se de uma dessas cópias.

Do período severo, em sequência, sobrevivem algumas obras muito significativas, o Apolo Alexikakos, o que afasta o mal, de autoria de Kálamis, o Apolo de Mântua, atribuído a Hegias, e o Apolo do Mestre de Olímpia, instalado no frontão do templo de Zeus em Olímpia, já mostrando um trabalho de observação da anatomia humana muito mais detalhado.


Algumas peças deste período também introduzem variações na figura, cobrindo-o de mantos que escondem sua nudez. Poucas evidências restam do período do alto classicismo, sabe-se que Fídias produziu vários Apolos, mas não chegaram a nossos dias, salvo o Apolo de Kassel e o Apolo do Tibre, cuja atribuição não é totalmente garantida, mas dos períodos clássico tardio, helenista e romano os museus guardam diversas peças, entre elas o célebre Apolo Belvedere, de Leocarés, talvez a mais afamada de todas as estátuas de Apolo, o Apolo sauróctono e o Apolo lício, de Praxíteles, e várias versões do Apolo citaredo, das quais são importantes as dos Museus Capitolinos, do Museu Britânico, da Gliptoteca Ny Carlsberg, do Museu Pergamon e do Museu Nacional Romano.


Também são notáveis as representações pictóricas do deus, encontradas em grande número de vasos de todos os períodos, ilustrando vários episódios de seu mito. Sua figura, através da expansão helenística para o oriente, foi uma influência na cristalização da iconografia do Buda desenvolvida pela escola Gandhara, na Índia.

Depois de um eclipse ao longo da Idade Média, no Renascimento voltou a ser representado com frequência, em todos os ramos da arte, e continua a sê-lo nos dias de hoje.


Entre os pintores célebres que deixaram obras sobre ele se contam Andrea Mantegna, Lucas Cranach, Piero Pollaiuolo, Dosso Dossi, Palma il Giovane, Rafael Sanzio, Giovanni Battista Tiepolo, Pompeo Batoni, Claude Lorrain, Diego Velázquez e José de Ribera. Entre os escultores, Baccio Bandinelli, Adriaen de Vries, Gian Lorenzo Bernini, Nicolas Coustou e Jean-Antoine Houdon. Cite-se também alguns exemplos literários - além dos poetas clássicos mencionados antes, Friedrich Schiller, Jonathan Swift, e Camões escreveram poemas para ele; foi citado várias vezes em obras de Dante Alighieri, Lope de Vega, Shakespeare, Cervantes, Chesterton, Alexander Pope, John Milton, Coleridge, Charles Dickens, Victor Hugo, Nathaniel Hawthorne e Oscar Wilde, entre muitos outros. Na música apareceu nas óperas L'Orfeo de Claudio Monteverdi, La descente d'Orphée aux enfers de Marc-Antoine Charpentier, Apollo e Dafne de Haendel e Apollo et Hyacinthus de Mozart, e no bailado Apollon Musagète de Igor Stravinsky, entre outras peças.


O deus é invocado ainda hoje quando os médicos fazem o Juramento de Hipócrates, e seu nome é usado atualmente para identificar uma infinidade de empresas, casas de espetáculo, instituições e produtos comerciais em todo o mundo.

É nome de pessoas e famílias, de um grupo de asteroides, de cidades - Apolo (Bolívia), Apollo (Pensilvânia) -, de uma borboleta (Parnassius apollo), de uma proteína humana e de uma variedade de aspargo, e o conhecido programa espacial norteamericano Apollo foi denominado à lembrança do deus grego.

“ Deixa, Apolo, o correr tão apressado,
Não sigas essa Ninfa tão ufano,
Não te leva o Amor, leva-te o engano
Com sombras de algum bem a mal dobrado.

E quando seja Amor será forçado,
E se forçado for, será teu dano:
Um parecer não queiras mais que humano,
Em um Silvestre adorno ver tornado.

Não percas por um vão contentamento
A vista que te faz viver contente:
Modera em teu favor o pensamento.

Porque menos mal é tendo-a presente,
Sofrer sua crueza, e teu tormento,
Que sentir sua ausência eternamente.

Camões, Soneto XXXXIX, centúria III ”


Aline Santos é Jornalista,Terapeuta Holística,Taróloga, Cabalista, Professora, Educadora Patrimonial, Escritora, Palestrante, e Pesquisadora de Ciências Ocultas, e atende nas áreas de Florais de Bach, Fitoterapia, Aromaterapia, Terapia com cristais, Reiki, Cura Prânica e Tarô Terapêutico.
E-MAIL: arcanjo.azul@hotmail.com

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Apolo

Apolo, ou Apollon, na língua original, pode ter vários significados, entre os quais "Destruidor" é o mais normalmente aceito. De fato, muitos indícios mostram que no princípio ele estava longe de ser o Deus da luz e da razão, quase como um Deus de paz e iluminação, como hoje é interpretado. Pelo contrário, ele "avança como a noite", com o seu arco e as suas setas letais, e espalha pragas, mata crianças e tem um poder de destruição incrível, só contrabalançado pelo seu enorme poder de criação e instituição.

Apolo é, provavelmente, de origem Anatólica ou do Norte, mas é quase certeza que não é originalmente Grego. Não figura no linear B e pensa-se que o seu culto se possa ter desenvolvido a partir de Chipre, embora ainda não esteja claro quando o seu culto se tornou tão íntimo com o de Artémis e de Leto. Apesar de estrangeiro, o seu culto espalhou-se por toda a Grécia, sendo um dos Deuses mais venerados, os seus centros de culto principais Delfos, centro cultural e Oracular da Grécia Antiga, e Delos, mercado central do Egeu.

O Deus aparece assim como a força unificadora dos Gregos, o senhor da adoração da beleza e da perfeição, o Deus distante, contrastando com o qual o homem se define e se conhece a si mesmo, o Deus que reina sobre tudo aquilo que identifica um grego enquanto grego e o Homem enquanto Homem. Por isso mesmo ele é chamado "o Líder" e "o Senhor".

Neste sentido ainda ele é o Deus das tribos e das famílias, dos laços entre as comunidades, o "Ancestral", Deus dos pastores, dos xamãs e, ao mesmo tempo, da civilização. Ele preside às reuniões das tribos e fratrias, nas quais se iniciavam novos rapazes e se admitiam novos membros. Torna-se assim o Deus da iniciação masculina, da transição entre a adolescência e a idade adulta e também entre a idade adulta e a velhice. Como Apolo Thanatos ele traz a morte e termina assim o ciclo de iniciações, a transição entre a vida e a morte.

Quando os gregos começaram a colonização e a relação com outros povos a necessidade de unificação foi reforçada e Apolo revela-se Deus da colonização e também dos estrangeiros. Ele torna-se o guia no mar, Deus dos golfinhos. Aqui ele é o Deus que institui tudo o que deve ser duradouro, ao mesmo tempo que na forma de guerreiro de espada dourada e arco prateado destrói aquilo que deve perecer.

A par desta sua faceta unificadora ele aparece como Deus dos poetas e das Musas, os quais unificaram e compilaram a cultura grega, deus das Artes e, agora, das Ciências. O Senhor do Sete sabe ser terrível, levantando-se todos os Deuses à sua passagem, mas quando pega na sua lira alegra o coração dos imortais, segurando na sua mão direita as Cárites.

Através da música e da dança ele purifica e é o Deus da purificação. A grande maioria dos seus festivais são festivais de purificação. Ao purificar o corpo ele é Paion, Deus da Cura, e Iatros, o Médico, cantando-se em sua honra os hinos Péan, hinos que purificam, curam e, ao mesmo tempo, induzem transe e comunicação com o divino. Com o Péan chamava-se Apolo de entre os Hiperbóreos, o seu povo.

O Deus unificador preside também às competições, elemento fulcral dos jogos Pan-Helênicos que definiam quem era e quem não era grego - ser grego significava participar nestes Jogos. Deus vencedor, ele é o senhor do Loureiro e da coroa de louros com que os vencedores dos jogos Pítios eram coroados.

Dizia-se que enquanto a sua mãe, Leto, estava grávida dele e de Artémis, a sua gêmea, o dragão feminino Píton a teria perseguido. Para se vingar, Apolo matou a serpente e tomou Delfos de assalto, tornando-o o seu Oráculo, a partir do qual adquiriu uma relação íntima com Zeus, sendo-lhe permitido revelar aos mortais a vontade do Deus Supremo. Também a partir daí inventou a purificação e punição pelo Homicídio, tornando-se protetor daqueles que querem mudar para melhor, independentemente do seu passado.

O Deus Profeta permanece, no entanto, o Deus dos oráculos ambíguos. Para os compreender o homem tem que se conhecer a si próprio e incubar-se até descobrir o seu eu e a verdade do mundo, pelo que Apolo torna-se, mais tarde, Deus da filosofia, que procura aperfeiçoar a mente e a alma, e também se torna Deus da busca da perfeição corporal.

No entanto, ele permanece distante, sendo através da sua luz e do seu arco distantes que o homem se identifica e reconhece. Ele é perfeito, absoluto e superior, mas com a sua luz ilumina e inspira o homem, sendo assim acaba por ser identificado com Hélios, o Sol, e o incorpora quase como uma parte de si.


Significado Moderno: Apolo é o Deus da luz e tudo aquilo que a ela está associado. Deus da razão, das artes, das ciências, da filosofia, o Líder das Musas é também o Deus da busca e da perfeição que nos ensina a sermos moderados e a aceitar que temos um lado negro e um lado luminoso.
Ele é o Deus profeta, o deus do conhecimento enciclopédico e também da compreensão, não no aspecto intelectual de Atena, mas no metafísico. Protetor de rapazes, Deus das iniciações, Deus das tribos e comunidades, Deus da Cura e da Peste, Senhor da Purificação, do culto do corpo e da mente, de viagens no mar e dos estrangeiros, Apolo é um dos Deuses com esfera de ação mais vasta.
Há que ter em conta que é um Deus distante, mas que ao mesmo tempo entra nas pessoas para comunicar através ou com elas de uma forma por vezes tão violenta que no mito é descrita como violação.

Modos de venerar: os rituais são sobretudo do formato Olímpico, mas as festas de iniciação com mortes simbólicas e elementos mais "negros" também lhe pertencem e agradam.
Iniciar uma jornada de auto-conhecimento, analizar os próprios valores e a vida, mas também ajudar instituições relacionadas com a saúde e com ajuda ao estrangeiro são formas originais de agradar ao Deus. Como Deus das artes, qualquer forma de arte lhe é passível de agradar.

Símbolos: coroa de louros, trípode, arco e setas, espada dourada, jovem nu, lira

Animais: corvo, leão, cisne, golfinho, veado, rena, cabra, rato, lobo, gafanhoto, cigarra, falcão

Outras ofertas: fitas douradas, Péan e outros hinos e várias formas de arte, cereais e primícias várias, Thargelos (pão ou papa de vários cereais), rituais de purificação, loureiro, vinho, leite, mel, jacintos, aloés, ciprestes, olíbano, instrumentos de divinação, objetos do estrangeiro, pedaços do cabelo


Aline Santos é Jornalista,Terapeuta Holística,Taróloga, Cabalista, Professora, Educadora Patrimonial, Escritora, Palestrante, e Pesquisadora de Ciências Ocultas, e atende nas áreas de Florais de Bach, Fitoterapia, Aromaterapia, Terapia com cristais, Reiki, Cura Prânica e Tarô Terapêutico.
E-MAIL: arcanjo.azul@hotmail.com

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

MITOLOGIA GREGA





ALINE SANTOS É Jornalista, Terapeuta Holística, Taróloga, Cabalista, Professora, Escritora, Palestrante, e atende nas áreas de Florais de Bach, Fitoterapia, Aromaterapia, Terapia com cristais, Reiki, Cura Prânica e Tarô Terapêutico.
Email- arcanjo.azul@hotmail.com

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

UTOPIA – O SONHO HUMANO DE UM MUNDO MELHOR



Utopia significa sonho humano de um mundo melhor, busca de um lugar perfeito onde reina a felicidade.

Tudo que acontece no mundo exterior é puro pretexto para nos conduzir ao mundo interno, o reino de Manas ou da mente, onde tudo está, tudo é real e tudo tem significado e sentido definitivo e eterno.

O contrário, como já dissemos, é puro pretexto e ilusão. Nosso relacionamento com o mundo, em todas as fases evolutivas, sempre foi conflituoso, contraditório, crítico e reflexivo, efeito das dificuldades biológicas e psicológicas, inquietações, medos, angústias, dúvidas e incertezas.

É o processo natural de desilusão. Impossibilitados de romper esses limites, barreiras, para nós instransponíveis, apelamos para a adaptação, mecanismo maravilhoso da mente humana que nos faz suportar as mais terríveis provas do tempo presente e ainda nos projeta para as inúmeras possibilidades do tempo futuro.

No âmago do Espírito existe uma “mônada”, o princípio inteligente, uma centelha divina que vibra como marca microcósmica da Criação.

Na mente humana essa mônada se manifesta como um enorme vazio existencial, acomodado no plano biológico, porém insaciável no plano psicológico.

Em nosso íntimo esse vazio vibra na forma de uma insatisfação permanente, como se fosse um compromisso eterno com a nossa transformação.

É a utopia da Perfeição, a busca do modelo ideal e infalível que enxergamos no Criador.

Em todas as épocas construímos ou aderimos a utopias que despertaram em nós o interesse por uma vida diferente, promissora, contrária aos problemas das sociedades em que nos agrupamos e as limitações próprias do meio em que nascemos e nos desenvolvemos.

UTOPIA – O SONHO DA CAVERNA IDEAL


Na pré-história desenvolvemos a utopia da caverna permanente, refúgio ideal para a proteção do corpo, para saciar a fome, aquecer o frio e nos abrigar dos perigos da vida selvagem e da hostilidade da natureza, que naquela época nos parecia caótica.

A cavernas se sucediam umas às outras porque a necessidade de sobrevivência, limitada pela inteligência primitiva e visão estreita de mundo, nos impelia ao nomadismo, numa caminhada interminável, de incerteza, em busca de uma caverna definitiva, da qual não seríamos mais expulsos.

Com o advento do fogo e da agricultura , essa utopia da caverna se ampliou para a busca do domínio territorial , símbolo milenar da riqueza alimentar e da realização social.

Nas primeiras civilizações das culturas teológicas, sobretudo no Egito, surgiu a utopia do tempo eterno e da imortalidade, reflexo do horror que tínhamos da morte do corpo e do fim da existência.

As pirâmides de Gizé, símbolos exteriores dessa imortalidade era, na realidade esotérica, a metáfora da mente, cujas câmaras do tempo passado, presente e futuro, guardam os mais profundos sonhos de realização.

O culto aos mortos, as cerimônias funerárias, os túmulos monumentais, tudo isso representa psicologicamente a busca de respostas para os enigmas da morte.

Ainda não aprendemos a driblar fisicamente a morte, mas desenvolvemos experiências psicológicas, aprendendo a aceitar os limites físicos e crer na possibilidade da existência de mundos metafísicos.

Foi também nesse longo período da Antiguidade que, inspirados no espantoso avanço mental dos egípcios, que Moisés acreditou na utopia de Canaã, a terra prometida, atravessou o deserto da incerteza e conduziu seu povo para o caminho da lei e da fidelidade ao Deus Único.

Essa utopia tinha como fundamento o Decálogo, dez princípios do mundo moral perfeito da cultura judaica.

UTOPIA – O SONHO DA CAVERNA IDEAL PARTE II


Na Índia, decepcionado pelo choque dos extremos de luxo e miséria, o jovem príncipe Gautama Sidarta, o Budha, construiu a utopia do Nirvana, o supremo estado de consciência, cujo acesso seria possível pelos nove degraus da meditação e do controle do desejo.

Esvaziar a mente, fugir da ilusão e entregar-se ao poder da vontade era o caminho para o mundo feliz, sem dores e decepções.

Na mesma Índia, Krishna, o sábio e provável autor dos Vedas, já havia cantado nesses célebres poemas a epopéia da Criação Divina e do tempo interminável.


Na Pérsia, Zoroastro elaborou uma das primeiras utopias da regeneração, contida no Zend-Avesta, o paraíso que foi construído após uma longa batalha entre o Bem e o Mal, lugar reservado aos justos e escolhidos.


Os filósofos Lao-tsé e Confúcio, na China, criaram a utopia da Honestidade e da Paciência, poderosos sustentáculos da civilização indestrutível.


Na Grécia antiga, reduto de inúmeros filósofos e estadistas, onde imperava a razão e o pragmatismo, onde Deus se chamava Logos Spermátikos, Sócrates desafiou o sistema e a morte, falando da Pneuma, ou a possibilidade da Alma e do Mundo da Idéias, e Platão, seu discípulo mais querido, escreveu na “República” a utopia do Estado perfeito, a polis ideal.

Em Roma, provavelmente pela primeira vez, aparece a utopia de um Estado Mundial. O domínio do mundo, motivado pela ideal de força e honra, foram idealizados primeiramente no Marenostrum, o espaço geográfico conhecido e desejado na época de Cartago e, posteriormente, na política da Pax Romana, e representado na figura do Imperium, simbolizado politicamente por César.

O estado Mundial Romano só não foi viabilizado por causa das limitações tecnológicas da época e, pelas contradições inevitáveis do sistema militar-escravista. Para contrapor essa pretensão do supremo poder material, surge no próprio seio da dominação romana, de forma desconcertante, a utopia da igualdade e do amor ao próximo, idealizada pelo Cristianismo.

Nela um simples o rabino judeu, filho de carpinteiro, propunha a conquista do Reino de Deus, onde o braço poderoso de César jamais alcançaria.

O Reino não era desse mundo e recomendava o sacrifício da própria vida, caso a idéia da imortalidade fosse colocada em xeque.

Os martírios, projetados para supervalorizar a crueldade do materialismo romano, tiveram efeito contrário na mente dos expectadores dos famosos circos.

O ataque dos leões e as chamas que fulminavam os corpos despertavam na mente popular o remorso, a atração e a simpatia pela Boa Nova. Roma sucumbiu.

UTOPIA – O SONHO DA CAVERNA IDEAL PARTE III


Na Idade Média, no universo do feudalismo, ganha força a utopia do Céu, contra instabilidade dos bárbaros e a opressão do senhorio, o terror das pestes e epidemias, bem como as superstições tenebrosas do fim do mundo, do inferno e do Reino de Satanás.

Santo Agostinho descreve esse lugar como a Cidade de Deus, idéia que também fascina o monge Tomaso Campanella.

Na Península Arábica, o profeta Mohamed unifica o seu povo através da utopia do Islã, um Estado teocrático e expansionista.Na Renascença as utopias se multiplicam nas mãos geniais de Thomas Morus, de pintores e arquitetos italianos e holandeses.

Em pleno capitalismo mercantil, no auge da Era das Navegações e Descobrimentos, a utopia se volta para o Novo Mundo.Nos séculos 17 e 18, na Inglaterra e na França, ao criticar os desequilíbrios da sociedade de estamentos e o Estado Absolutista, os filósofos iluministas criam a utopia da Razão.


No século 19, por efeito dos desequilíbrios da Revolução Industrial, surge a utopia socialista de igualdade e harmonia, nas famosas colônias e falanstérios.Em pleno século XX o nazi-fascismo reviveu a antiga utopia espartana da eugenia através de regimes totalitários cruéis e belicistas.


E no mundo contemporâneo, depois de uma intensa onda de destruição ambiental e aniquilamento humano das duas guerras mundiais, volta à tona a utopia da Paz e da Harmonia, antigos sonhos que agora voltam a povoar a mente humana, ainda inquieta e em busca da sua caverna permanente.

São sonhos alimentados pela atuação pacifista do Mahatma Gandhi, com a utopia da Não Violência; do pastor Martin Luther King e Nelson Mandela, pela igualdade racial, pela utopia da contra-cultura dos jovens hippies do mundo inteiro, dos inúmeros conspiradores da Era de Aquário e milhões de militantes do verde e da Ecologia.

A caverna não é mais um lugar físico, mas a ânsia pela perfeição é mesma, agora rumo aos ilimitados confins da consciência.


É a utopia do Homem do Futuro.