sábado, 29 de maio de 2010

CULTO DE APOLO 1


Seu culto

Conforme se percebe nas alusões de Homero, o culto de Apolo já estava firmemente estabelecido antes do começo dos registros escritos na Grécia, mas as evidências arqueológicas só aparecem no tempo do mesmo Homero.


Seus dois santuários maiores, Delfos e Delos, eram dos mais influentes da antiga Grécia. Também era cultuado de forma importante em Atenas, Dídima, Claros, Knossos e Abas. Outros santuários havia em Egina, Quios, Mileto, Oropos, Hierápolis Bambyce, Corinto, Bassae, Patara, Segesta e vários outros lugares, assumindo a presidência de quase todos os oráculos da Grécia, do qual o de Delfos foi o mais célebre.


Música, dança, divinação, procissões, sacrifícios e rituais purificatórios tinham parte central em seu culto em todos os lugares, e o hino dedicado especialmente a Apolo era o peã, mas as formas específicas variavam de acordo com o local e suas associações com alguma faceta especial do deus, e com a época do ano, e não se pode imaginar um sistema homogêneo, considerando a extensão do período histórico em que foi cultuado, a vasta região que abrangeu e os vários sincretismos que sua imagem sofreu.


Há relatos desde grandes festivais pan-helênicos até oferendas simples de indivíduos, e adiante são citadas algumas festas e ritos a título de exemplo. Apesar de a lenda dizer que seu primeiro local de culto foi Delos, a ilha onde nascera, achados arqueológicos sugerem que o mais antigo templo de Apolo possivelmente foi construído em Naxos, no final do século VII a.C., uma estrutura relativamente simples, mas que possuía uma estátua de culto do deus de dimensões colossais, com cerca de seis metros de altura, que se preservou de forma fragmentária.

Delos

Somente no final do século VI a.C. os gregos dominaram Delos, e então ergueram ali um santuário para Apolo que veio a adquirir grande importância, também em virtude da condição da ilha de sede da Liga de Delos.


Em 426 a.C. os gregos consagraram toda a ilha ao culto, e por causa do seu caráter sagrado, nascimentos e mortes eram proibidos, e todas as gestantes perto de darem à luz e doentes graves deviam abandoná-la.


Também reconstruíram e ampliaram o templo primitivo e instituíram um grande festival para Apolo que reunia as cidades da Liga a cada quatro anos, e outro a cada seis anos. Anualmente os membros da Liga enviavam para Delos um coro de quatorze jovens num navio consagrado, que reconstituía a chegada mítica de Teseu à ilha de Creta para matar o Minotauro, acompanhado dos sete mancebos e sete virgens enviados em sacrifício.


Segundo a tradição, os jovens haviam prometido, se Teseu derrotasse o monstro e eles sobrevivessem, que enviariam todos os anos um navio-oferenda para perpetuar a memória da façanha. As famílias que se diziam seus descendentes mantiveram o costume, e era uma cerimônia cercada de grande sacralidade.


Desde a partida do navio, após a bênção solene do sacerdote de Apolo, até seu retorno, as execuções eram proibidas. O Apolo Delios se tornou muito venerado em Atenas, ao lado do Apolo Pítio. Ao longo do domínio helenista seu prestígio permaneceu e mesmo cresceu, chegando ao seu pico em torno do século II a.C., mas em 69 a.C. a ilha foi devastada pelas tropas do rei do Ponto.

Atenas
Segundo Demóstenes, Atenas tinha Apolo Pítio como seu ancestral, e ali ele foi sempre cultuado. Um dos festivais mais conhecidos era o da Thargelia, celebrado em Atenas e cidades gregas da Ásia no mês de Targelion, maio.


Era basicamente um rito purificatório, às vezes combinado a ritos de fertilidade celebrando as colheitas. Iniciava com a escolha de duas pessoas, que serviriam de bodes expiatórios para a coletividade, os pharmakoi, que seriam banidos para sempre, e era necessário que eles oferecessem a si mesmos voluntariamente.


Apesar do sacrifício que isso envolvia, os pharmakoi não ganhavam nenhum respeito da população, ao contrário, eram tratados da forma mais indigna. Recebiam colares de figos secos e eram a seguir expulsos da cidade com pancadas de ramos de figueira, acreditando-se que carregariam com eles todo o mal de lá.


Contudo, ganhavam provisões para um ano. Enquanto isso acontecia, se realizava uma procissão onde se apresentavam os frutos da terra entre cantos de hinos a Apolo. É possível que esses frutos fossem consumidos no festival, e que se realizasse ao mesmo tempo um rito em honra a Deméter, mas as fontes não são claras a respeito.


Outro festival era o da Pyanopsia, quando se levava em procissão geral um ramo de oliveira enfeitado com um tecido de lã e vários tipos de frutos. Várias procissões privadas aconteciam no mesmo momento, e as portas das casas eram adornadas com um ramo semelhante que permanecia ali ao longo de todo o ano, renovado na festa seguinte.


O significado exato do festival é obscuro, pode ter sido uma ação de graças pelo bom resultado das colheitas, uma vez que ele era realizado no outono, quando as safras já estavam no fim.


Várias casas da Ática possuíam um altar ou um pilar em frente ao pórtico dedicado a Apolo Aguieus, em sua condição de protetor das ruas e do caminho de entrada, e ele era honrado com sacrifícios e preces antes de cada assembléia pública, junto com outros deuses.


Quando os atenienses enviavam oficialmente suas oferendas para Delfos, a procissão era precedida de dois homens portando machados, reencenando a lenda que dizia Apolo ter desbravado o terreno para a fundação da cidade e reafirmando o caráter civilizador do deus.

Outro festival ateniense era a Boedromia, que agradecia a assistência de Apolo durante as guerras.


Aline Santos é Jornalista,Terapeuta Holística,Taróloga, Cabalista, Professora, Educadora Patrimonial, Escritora, Palestrante, e Pesquisadora de Ciências Ocultas, e atende nas áreas de Florais de Bach, Fitoterapia, Aromaterapia, Terapia com cristais, Reiki, Cura Prânica e Tarô Terapêutico.
E-MAIL: arcanjo.azul@hotmail.com

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CULTO DE APOLO 2

Apolo com a cítara e serpente Píton. Obra romana, século II a.C., procedente do templo de Apolo em Cirene, hoje no Museu Britânico, Londres


Delfos

Algumas versões do mito dizem que desde antes da chegada de Apolo havia um oráculo instalado na encosta do Monte Parnaso, consagrado a Gaia, e cuja profetisa era Têmis ou Febe. Mais tarde ele teria passado para a presidência de Poseidon, e somente em data relativamente tardia teria sido assumido por Apolo. Essa versão é confirmada pela evidência arqueológica, havendo sido encontrados ali artefatos sacros de data tão antiga quanto c. 1600 a.C.

Tomlinson acredita que Delfos permaneceu como um santuário de âmbito apenas local até o século VI a.C., quando foi dedicado a Apolo e começou a adquirir importância, mas não há consenso entre os historiadores; De Boer & Hale, e também Malkin, fazem sua influência pan-helênica recuar para o século VIII a.C., quando ele já teria sido consultado sobre projetos de fundação de colônias distantes.

Ésquilo, que era filho de um sacerdote de Elêusis e ele mesmo um iniciado em seus Mistérios, também suportava essa visão de dedicações sucessivas, e disse que certa vez a pitonisa o havia confirmado. Diodoro Sículo disse a origem da sacralidade do lugar se deve a que certa vez um pastor foi procurar suas cabras perdidas e, entrando numa gruta, ficou inebriado com estranhos vapores e pôde ver o passado e o futuro. Relatando o fato aos seus companheiros, ergueram um altar, pois consideraram os fenômenos como sinal da presença divina, e escolheram uma virgem para assumir a função de profetisa.


Ruínas do Templo de Apolo em Delfos.

O santuário délfico mais recente, quando já era presidido por Apolo, foi construído no fim do século VI a.C., em uma série de terraços interligados por uma Via Sacra, que era usada como caminho de procissões, culminando no terraço do templo propriamente dito, uma estrutura dórica erguida a mando de Clístenes, que foi destruída por uma avalanche no século IV a.C.

Foi então reconstruído no mesmo local uma estrutura idêntica à anterior, financiado por toda a Grécia. Ao longo da Via Sacra foram com o tempo erguidas várias capelas, chamadas de tesouros, por cada cidade grega, e serviam como depósitos das oferendas para Apolo. Algumas eram ricamente ornamentadas, como os tesouros de Sifnos e de Atenas. Também foi erguido um muro em torno de toda a área, além de oratórios menores, um estádio, um teatro, casas para os sacerdotes e para as pitonisas, memoriais e outras estruturas.

Os registros históricos relatam que depois da consolidação da presença apolínea as pitonisas - profetisas cujo nome celebrava a vitória de Apolo sobre Píton - eram escolhidas entre as virgens de Delfos, e deviam ter uma reputação imaculada, permanecendo toda a vida consagradas ao deus.

Algumas parecem ter sido casadas, mas depois de assumirem sua função rompiam todos os laços familiares e perdiam sua identidade privada. No período de apogeu do oráculo as pitonisas eram de famílias distinguidas, e eram todas possuidoras de uma cultura ampla e refinada.

Eram ricas, possuindo grandes propriedades isentas de impostos, podiam assistir cerimônias profanas e usavam coroas de ouro, elementos indicativos de seu imenso prestígio. Nas fases finais de sua atividade o nível cultural e social das pitonisas decaiu muito.

As pitonisas proferiam seus oráculos em um estado de transe, sentadas sobre uma trípode que ficava sobre uma fenda rochosa no solo de onde saíam vapores subterrâneos, depois de mascarem folhas de loureiro e beberem água da fonte sagrada.

Só profetizavam nove vezes por ano, no sétimo dia após a lua nova. Aristófanes disse que quando a pitonisa proferia o oráculo o loureiro sagrado era agitado em uma encenação orgiástica, e Diodoro mencionou o sacrifício de bodes, cuja presença é documentada por moedas cunhadas em Delfos.

Essa forma de divinação não era típica de deuses solares mas era comum a outras divindades ctônicas, e isso parece indicar sua ligação com os cultos primitivos dedicados a Gaia e outras deidades da terra e do mundo subterrâneo.

Também foi sugerido que isso indica uma origem cretense ou oriental para o rito.Estudos recentes têm sugerido que certos gases tóxicos emanados de fissuras subterrâneas exatamente no local do templo podem ser uma explicação para a origem do estado alterado de consciência das pitonisas.

Elas eram assistidas por uma equipe de sacerdotes e funcionários, que organizavam o funcionamento do templo, recebiam os peregrinos e as embaixadas, interpretavam as palavras muitas vezes obscuras das pitonisas, realizavam sacrifícios e conduziam o canto de hinos e outras cerimônias.

Em anos recentes foi desenvolvida uma técnica de estimação de probalilidades e sincronismos futuros, chamada Método Delphi, inspirada pela atividade do oráculo. A técnica é usada especialmente "quando não se possuem dados em quantidade suficiente ou fidedignos para que se possa fazer uma extrapolação ou, ainda, quando existem expectativas de mudanças estruturais nos fatores determinantes do desencadeamento futuro".

Delfos era considerada o centro do mundo e o umbigo da Terra estava dentro do templo, simbolizado pela pedra do ônfalo (umbigo). Desta forma Delfos era uma imagem de estabilidade numa cultura definida por um aglomerado de cidades e grupos étnicos independentes, e estruturava toda a cosmografia grega num plano de círculos concêntricos de graus decrescentes de civilização que era reproduzido em escala menor em cada pólis.

Os gregos viviam no círculo central, e para eles além viviam os estrangeiros, seguidos pelos bárbaros, os selvagens e finalmente os monstros. Envolvendo o mundo conhecido havia um círculo cósmico formado pelas águas infinitas do oceano, de onde se originavam os quatro ventos e onde residiam os povos míticos.

A cada inverno Apolo viajava até os país dos Hiperbóreos, que segundo algumas lendas haviam ajudado o deus na fundação de Delfos, um povo eterno e não sujeito aos males da humanidade e que Heródoto considerava todo composto por sacerdotes de Apolo. Esta peregrinação mítica era um símbolo da sucessão das estações, regidas pelo deus através do deslocamento aparente da posição do sol no céu ao longo do ano, e criava um elo entre o mundo dos homens e as forças dos mundos superiores.

O Oráculo de Delfos se tornou o grande árbitro e legislador de toda a Grécia. Não tomava a iniciativa de impor regras ou políticas, mas quando surgia alguma questão delicada as cidades frequentemente o consultavam, para resolver disputas e guerras, quando desejavam criar legislação ou fundar colônias, e quando precisavam instrução sobre saúde e bem-estar coletivos na emergência de pragas e outras calamidades, quando o deus informava sobre os ritos purificatórios e sacrifícios necessários para afastar o mal.

Também impunha penalidades para maus governantes e regulava os requisitos para admissão em cargos públicos. Suas decisões eram geralmente acatadas, e quando não o eram, desastres imprevistos podiam suceder.

O oráculo adquiriu tamanha autoridade e o respeito de todos os gregos não apenas porque era a voz de um deus, mas porque conseguiu se manter relativamente neutro em todos os conflitos públicos que administrou.

Para os indivíduos, suas respostas incentivavam a reflexão e o auto-exame. O santuário permaneceu em atividade ao longo dos períodos helenista e romano, e o oráculo foi consultado e respeitado até o século II d.C., mas com a progressiva penetração do cristianismo caiu em abandono.

Foram feitas algumas tentativas de restaurá-lo, mas com a conversão do Império Romano ao cristianismo elas perderam o sentido. O imperador Juliano, o Apóstata, tentou revitalizá-lo em torno de 360 d.C. quanto quis restaurar o Paganismo no império, mas então o próprio oráculo falou aos enviados imperiais: "Digam ao imperador que minha casa ruiu até o alicerce. Apolo já não mora aqui, nem a luz de sua profecia, e a água de sua fonte secou".


A maior festividade em Delfos era os Jogos Píticos, celebrados a cada quatro anos em honra a Apolo, Leto e Ártemis, e segundo a lenda haviam sido instituídos pelo próprio Apolo. Era uma das maiores celebrações pan-helênicas, incluía competições atléticas, teatrais, poéticas e musicais, e também se faziam concursos de pintura e escultura.

As competições artísticas eram as mais importantes, e em certos períodos parece que os jogos atléticos foram suprimidos. As festividades duravam vários dias e atraíam muitos estrangeiros, e todas as cidades gregas enviavam oferendas para Apolo.

Não sobrevivem relatos detalhados sobre os Jogos Píticos, mas se presume que tenham sido acompanhados também de procissões, sacrifícios e purificações públicas, como nos outros Jogos.

Seus vencedores recebiam como prêmio um barrete feito de folhas de loureiro, junto com um ramo de palmeira, e eram eternizados com a ereção de uma estátua sua. A celebração dos Jogos Píticos perdurou enquanto o oráculo esteve em atividade. Outras cidades da Grécia, onde havia culto de Apolo, também instituíram pequenos Jogos Píticos.

Sobrevivem duas peças de música dedicadas ao Apolo Délfico, dois hinos encontrados em inscrições em pedra no santuário, mas não se sabe como eram executados. A transcrição da notação musical grega ainda tem muitas incógnitas, além disso estão em forma fragmentária, e a reconstrução de que se dispõe hoje das melodias é conjetural.

De qualquer forma estão entre as mais antigas partituras conhecidas no ocidente. O primeiro hino foi escrito por um ateniense anônimo em torno de 138 a.C., e foi descoberto em 1893 por Pierre de Coubertin. O segundo hino foi composto por Limenios, em torno de 128 a.C


Aline Santos é Jornalista,Terapeuta Holística,Taróloga, Cabalista, Professora, Educadora Patrimonial, Escritora, Palestrante, e Pesquisadora de Ciências Ocultas, e atende nas áreas de Florais de Bach, Fitoterapia, Aromaterapia, Terapia com cristais, Reiki, Cura Prânica e Tarô Terapêutico.
E-MAIL: arcanjo.azul@hotmail.com

CULTO DE APOLO 3

Apolo em mosaico romano da Tunísia, século II d.C.


Vulca: O Apulu de Veii, c. 510 a,C. Museu Nacional Etrusco, Roma.
Em Roma

Apolo era conhecido pelos romanos desde uma idade recuada, e ainda durante o reinado o Oráculo de Delfos já era consultado, mas seu culto só foi instituído em Roma no ano de 430 a.C., quando ele foi invocado para evitar uma praga, construindo-se um templo nos Campos Flamínios dedicado a Apolo Sosiano.

Um segundo templo foi erguido em 350 a.C., e durante a II Guerra Púnica foram instituídos Jogos Apolíneos. Mas Apolo não conheceu grande popularidade entre os romanos senão durante o império de Augusto, que colocou a si e ao Estado sob sua proteção, homenageou-o instituindo Jogos qüinqüenais, ampliando seu templo e doando-lhe riquezas conquistadas na Batalha de Actium, além de construir-lhe um novo templo no Palatino, que se tornou a sede da culminação dos Jogos seculares celebrados no ano 17 para comemorar o início de uma nova era, quando o poeta Horácio celebrou Apolo e sua irmã Diana (Ártemis) acima de todos os deuses romanos. Também teve templos romanos em Megalópolis, Ortígia, Figaléia, Corinto e Delos, entre outros locais. Seu culto espalhou-se pela maior parte da área de influência do Império Romano, e foi identificado com vários deuses regionais associados à cura, especialmente celtas.

Na Etrúria

Apolo era conhecido pelos etruscos sob os nomes de Apulu ou Aplu. Até onde se pôde descobrir, dada a ausência de testemunhos literários, teve um papel importante na religião etrusca, e seus atributos eram em tudo semelhantes aos gregos.

Não são conhecidas muitas representações, mas sobrevive uma estátua de Apulu em terracota policroma em tamanho natural de qualidade superior, o chamado Apulu de Veii, criada pelo escultor Vulca para os romanos em torno de 510 a.C. Encontrada em 1916, foi de grande importância para a reavaliação da arte etrusca no século XX. Plínio, o Velho, a descreveu como a mais bela estátua de seu tempo, e que era mais estimada do que ouro.


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Epítetos e títulos de culto

Apolo e Hércules disputando a trípode, vaso de Vulci, 480 a.C. Museu do Louvre, Paris


Apolo, como outras deidades, tinha diversos títulos, que lhe eram aplicados para refletir a diversidade de seus papéis, obrigações e aspectos. Aqui segue uma lista parcial, que exclui epítetos toponímicos.

Epítetos gregos
Aguieus, protetor da entrada das casas; Loxias, oblíquo, pelos oráculos ambíguos; Helios, o sol; Egletes, radiante, Febo, brilhante; Lício, luminoso; matador de lobos, ou Lykegenes, nascido de uma loba ou nascido na Lícia; Acestor, Acésio, Alexikakos, Apotropeu, Iatromantis, Epicuro, Paian, todos ligados à sua capacidade de prover a saúde e afastar o mal; Mântico, profeta; Arcagetes, diretor da fundação, por ser fundador das muralhas de Megara; Esminteu, caçador de ratos; Nomios, andarilho; Delfínio, do útero, que associa Apolo com Delfos; Pítio, por ter morto a Pìton; Genétor, gerador, produtor de frutos. Era associado ao atributo de regente da Idade Dourada. Parnópio, salta-montes; Aphetoros, deus do arco; Argurotoxos, do arco de prata; Hekaergos ou Hekebolos, que atira longe, referindo às suas flechas; Ninfagetes, chefe das ninfas; Klarios, doador de terras, por sua supervisão sobre as cidades e colônias; Musagetes, chefe das musas.

Epítetos romanos
Medicus, médico; Febo, brilhante; Averruncus, aquele que afasta o mal; Culicarius, o que afasta os mosquitos; Articenens, o que leva o arco; Coelispex, o que observa o céu; Lesquenório, porque presidia as assembléias poéticas e musicais e as reuniões das musas.

Epítetos celtas
Atepomarus, grande ginete, ou dono de um grande cavalo; Belenus, belo ou brilhante; Grannus, Vindonius, brilhante; Borvo, quente, borbulhante, patrono das fontes termais; Maponos, grande mancebo, filho divino; Morigastus, marítimo; Oenghus, mancebo; Mac ind Óg, jovem filho, e na literatura arturiana ele sobreviveu chamado de Mabon, Mabuz e Mabonagrain.


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A revitalização do culto de Apolo


Ritual neopagão de Apolo, 2007, Grécia. Além da importante presença simbólica de Apolo no mundo de hoje, já abordada na seção sobre seu mito, deve ser mencionada a recente ressurgência do seu culto efetivo através da proliferação de credos neopagãos na cultura Nova Era.

Já existe uma série de ritos estabelecidos para este novo culto de Apolo, e Vasilios Makrides nota que setores conservadores da Igreja Ortodoxa grega estão atualmente a denunciar um suposto projeto "oficial" de paganização da Grécia, tornado evidente para eles através da renovação do ensino da mitologia e da introdução de literatura neopagã nas escolas, da atribuição de nomes de deidades pagãs para ruas e parques públicos, da ereção de estátuas de Apolo e outros deuses na Academia de Atenas, da emissão de selos como efígies de deuses, da organização de festivais revivalistas em Delfos e da criação ali de um centro cultural internacional para a promoção do espírito délfico de cooperação internacional, apenas para citar algumas das medidas adotadas de fato pelas instâncias governamentais gregas.


Diversos pregadores ortodoxos têm protestado também contra a introdução de elementos pagãos nas Olimpíadas recentes, e já houve enfrentamentos violentos entre ambas as facções, que tiveram de ser administrados pelo poder público, o que parece provar que o Neopaganismo já se torna, na Grécia contemporânea, uma força social de significativa influência.


Tais cultos neopagãos fazem em linhas gerais uma crítica ao monoteísmo cristão-judaico e propõem uma ressacralização do mundo natural e uma reintegração do homem a ele de uma forma espontânea, desvestida de um dogmatismo religioso que julgam limitador da plena expressão da natureza humana como ela é e da percepção do divino em todo o mundo manifesto.


Para Alain de Benoit o Paganismo moderno prima pela tolerância e respeito pelas diferenças, e antes do que constituir um passadismo romântico ou uma utopia - apesar de muitas de suas manifestações atuais serem, para ele, ingênuas, quando não patéticas - se baseia numa concepção não-linear da história, numa escolha deliberada por uma vida mais autêntica, integrada e harmoniosa, num desejo de corrigir a oposição dualista entre homem e Deus que contamina o monoteísmo, trazendo o divino para o mundo do cotidiano, e aponta para a efetiva eternidade dos mitos e da vida que eles animam.


Aline Santos é Jornalista,Terapeuta Holística,Taróloga, Cabalista, Professora, Educadora Patrimonial, Escritora, Palestrante, e Pesquisadora de Ciências Ocultas, e atende nas áreas de Florais de Bach, Fitoterapia, Aromaterapia, Terapia com cristais, Reiki, Cura Prânica e Tarô Terapêutico.
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REPRESENTAÇÕES DE APOLO


As estátuas e pinturas de Apolo o mostram um homem jovem, no auge de sua força e beleza. Muitas vezes está nu, ou veste um manto. Pode trazer uma coroa de louros na cabeça, o arco e flechas, uma cítara ou lira nas mãos. Às vezes a serpente Píton também é representada, ou algum outro de seus animais simbólicos, como o grifo e o corvo.


Nas pinturas e mosaicos pode ter uma coroa de raios de luz ou uma auréola. Suas primeiras representações conhecidas datam do século VIII-VII a.C., onde ele aparece esquematicamente, sob a forma de um pilar cônico de pedra, sob o epíteto de Apolo Aguieus, o protetor dos caminhos, ou na forma de uma herma, uma coluna provida de cabeça, mãos e pés, somente.


Em Esparta foi encontrada uma imagem única, desaparecida em tempos modernos, um relevo que o representava com quatro braços e quatro orelhas, segurando em cada mão um manto, um ramo de oliveira, um arco e uma patena. Também são conhecidos relatos literários de estátuas primitivas em madeira e estatuetas em bronze.

Representações mais acabadas aparecem em meados do século VI a.C., entre elas uma estátua criada por Dipoenus e Scyllis, seguindo a tipologia abstratizante do kouros do período arcaico, e nesta época ele já estava firmemente associado com os ideais de beleza, juventude, força e virtude sintetizados no conceito da kalokagathia.


De fato é possível que a simbologia apolínea tenha desempenhado um papel determinante na cristalização de toda a tipologia do kouros, e exercido assim uma influência central para toda a evolução subsequente da representação masculina na escultura grega.


Apenas do sítio arqueológico do santuário de Apolo Ptoos na Beócia foram encontrados cerca de 120 kouroi. O Apolo arcaico mais célebre foi uma estátua em mármore produzida por Kanacos para o templo de Dídima perto de Mileto, em torno do fim do século VI a.C. Na invasão persa foi capturada e levada para Ecbátana, sendo devolvida depois. Diversas moedas mostram essa estátua, e possivelmente foi reproduzida em bronze em tamanho menor. O conhecido Apolo de Piombino pode tratar-se de uma dessas cópias.

Do período severo, em sequência, sobrevivem algumas obras muito significativas, o Apolo Alexikakos, o que afasta o mal, de autoria de Kálamis, o Apolo de Mântua, atribuído a Hegias, e o Apolo do Mestre de Olímpia, instalado no frontão do templo de Zeus em Olímpia, já mostrando um trabalho de observação da anatomia humana muito mais detalhado.


Algumas peças deste período também introduzem variações na figura, cobrindo-o de mantos que escondem sua nudez. Poucas evidências restam do período do alto classicismo, sabe-se que Fídias produziu vários Apolos, mas não chegaram a nossos dias, salvo o Apolo de Kassel e o Apolo do Tibre, cuja atribuição não é totalmente garantida, mas dos períodos clássico tardio, helenista e romano os museus guardam diversas peças, entre elas o célebre Apolo Belvedere, de Leocarés, talvez a mais afamada de todas as estátuas de Apolo, o Apolo sauróctono e o Apolo lício, de Praxíteles, e várias versões do Apolo citaredo, das quais são importantes as dos Museus Capitolinos, do Museu Britânico, da Gliptoteca Ny Carlsberg, do Museu Pergamon e do Museu Nacional Romano.


Também são notáveis as representações pictóricas do deus, encontradas em grande número de vasos de todos os períodos, ilustrando vários episódios de seu mito. Sua figura, através da expansão helenística para o oriente, foi uma influência na cristalização da iconografia do Buda desenvolvida pela escola Gandhara, na Índia.

Depois de um eclipse ao longo da Idade Média, no Renascimento voltou a ser representado com frequência, em todos os ramos da arte, e continua a sê-lo nos dias de hoje.


Entre os pintores célebres que deixaram obras sobre ele se contam Andrea Mantegna, Lucas Cranach, Piero Pollaiuolo, Dosso Dossi, Palma il Giovane, Rafael Sanzio, Giovanni Battista Tiepolo, Pompeo Batoni, Claude Lorrain, Diego Velázquez e José de Ribera. Entre os escultores, Baccio Bandinelli, Adriaen de Vries, Gian Lorenzo Bernini, Nicolas Coustou e Jean-Antoine Houdon. Cite-se também alguns exemplos literários - além dos poetas clássicos mencionados antes, Friedrich Schiller, Jonathan Swift, e Camões escreveram poemas para ele; foi citado várias vezes em obras de Dante Alighieri, Lope de Vega, Shakespeare, Cervantes, Chesterton, Alexander Pope, John Milton, Coleridge, Charles Dickens, Victor Hugo, Nathaniel Hawthorne e Oscar Wilde, entre muitos outros. Na música apareceu nas óperas L'Orfeo de Claudio Monteverdi, La descente d'Orphée aux enfers de Marc-Antoine Charpentier, Apollo e Dafne de Haendel e Apollo et Hyacinthus de Mozart, e no bailado Apollon Musagète de Igor Stravinsky, entre outras peças.


O deus é invocado ainda hoje quando os médicos fazem o Juramento de Hipócrates, e seu nome é usado atualmente para identificar uma infinidade de empresas, casas de espetáculo, instituições e produtos comerciais em todo o mundo.

É nome de pessoas e famílias, de um grupo de asteroides, de cidades - Apolo (Bolívia), Apollo (Pensilvânia) -, de uma borboleta (Parnassius apollo), de uma proteína humana e de uma variedade de aspargo, e o conhecido programa espacial norteamericano Apollo foi denominado à lembrança do deus grego.

“ Deixa, Apolo, o correr tão apressado,
Não sigas essa Ninfa tão ufano,
Não te leva o Amor, leva-te o engano
Com sombras de algum bem a mal dobrado.

E quando seja Amor será forçado,
E se forçado for, será teu dano:
Um parecer não queiras mais que humano,
Em um Silvestre adorno ver tornado.

Não percas por um vão contentamento
A vista que te faz viver contente:
Modera em teu favor o pensamento.

Porque menos mal é tendo-a presente,
Sofrer sua crueza, e teu tormento,
Que sentir sua ausência eternamente.

Camões, Soneto XXXXIX, centúria III ”


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sexta-feira, 28 de maio de 2010

Apolo

Apolo, ou Apollon, na língua original, pode ter vários significados, entre os quais "Destruidor" é o mais normalmente aceito. De fato, muitos indícios mostram que no princípio ele estava longe de ser o Deus da luz e da razão, quase como um Deus de paz e iluminação, como hoje é interpretado. Pelo contrário, ele "avança como a noite", com o seu arco e as suas setas letais, e espalha pragas, mata crianças e tem um poder de destruição incrível, só contrabalançado pelo seu enorme poder de criação e instituição.

Apolo é, provavelmente, de origem Anatólica ou do Norte, mas é quase certeza que não é originalmente Grego. Não figura no linear B e pensa-se que o seu culto se possa ter desenvolvido a partir de Chipre, embora ainda não esteja claro quando o seu culto se tornou tão íntimo com o de Artémis e de Leto. Apesar de estrangeiro, o seu culto espalhou-se por toda a Grécia, sendo um dos Deuses mais venerados, os seus centros de culto principais Delfos, centro cultural e Oracular da Grécia Antiga, e Delos, mercado central do Egeu.

O Deus aparece assim como a força unificadora dos Gregos, o senhor da adoração da beleza e da perfeição, o Deus distante, contrastando com o qual o homem se define e se conhece a si mesmo, o Deus que reina sobre tudo aquilo que identifica um grego enquanto grego e o Homem enquanto Homem. Por isso mesmo ele é chamado "o Líder" e "o Senhor".

Neste sentido ainda ele é o Deus das tribos e das famílias, dos laços entre as comunidades, o "Ancestral", Deus dos pastores, dos xamãs e, ao mesmo tempo, da civilização. Ele preside às reuniões das tribos e fratrias, nas quais se iniciavam novos rapazes e se admitiam novos membros. Torna-se assim o Deus da iniciação masculina, da transição entre a adolescência e a idade adulta e também entre a idade adulta e a velhice. Como Apolo Thanatos ele traz a morte e termina assim o ciclo de iniciações, a transição entre a vida e a morte.

Quando os gregos começaram a colonização e a relação com outros povos a necessidade de unificação foi reforçada e Apolo revela-se Deus da colonização e também dos estrangeiros. Ele torna-se o guia no mar, Deus dos golfinhos. Aqui ele é o Deus que institui tudo o que deve ser duradouro, ao mesmo tempo que na forma de guerreiro de espada dourada e arco prateado destrói aquilo que deve perecer.

A par desta sua faceta unificadora ele aparece como Deus dos poetas e das Musas, os quais unificaram e compilaram a cultura grega, deus das Artes e, agora, das Ciências. O Senhor do Sete sabe ser terrível, levantando-se todos os Deuses à sua passagem, mas quando pega na sua lira alegra o coração dos imortais, segurando na sua mão direita as Cárites.

Através da música e da dança ele purifica e é o Deus da purificação. A grande maioria dos seus festivais são festivais de purificação. Ao purificar o corpo ele é Paion, Deus da Cura, e Iatros, o Médico, cantando-se em sua honra os hinos Péan, hinos que purificam, curam e, ao mesmo tempo, induzem transe e comunicação com o divino. Com o Péan chamava-se Apolo de entre os Hiperbóreos, o seu povo.

O Deus unificador preside também às competições, elemento fulcral dos jogos Pan-Helênicos que definiam quem era e quem não era grego - ser grego significava participar nestes Jogos. Deus vencedor, ele é o senhor do Loureiro e da coroa de louros com que os vencedores dos jogos Pítios eram coroados.

Dizia-se que enquanto a sua mãe, Leto, estava grávida dele e de Artémis, a sua gêmea, o dragão feminino Píton a teria perseguido. Para se vingar, Apolo matou a serpente e tomou Delfos de assalto, tornando-o o seu Oráculo, a partir do qual adquiriu uma relação íntima com Zeus, sendo-lhe permitido revelar aos mortais a vontade do Deus Supremo. Também a partir daí inventou a purificação e punição pelo Homicídio, tornando-se protetor daqueles que querem mudar para melhor, independentemente do seu passado.

O Deus Profeta permanece, no entanto, o Deus dos oráculos ambíguos. Para os compreender o homem tem que se conhecer a si próprio e incubar-se até descobrir o seu eu e a verdade do mundo, pelo que Apolo torna-se, mais tarde, Deus da filosofia, que procura aperfeiçoar a mente e a alma, e também se torna Deus da busca da perfeição corporal.

No entanto, ele permanece distante, sendo através da sua luz e do seu arco distantes que o homem se identifica e reconhece. Ele é perfeito, absoluto e superior, mas com a sua luz ilumina e inspira o homem, sendo assim acaba por ser identificado com Hélios, o Sol, e o incorpora quase como uma parte de si.


Significado Moderno: Apolo é o Deus da luz e tudo aquilo que a ela está associado. Deus da razão, das artes, das ciências, da filosofia, o Líder das Musas é também o Deus da busca e da perfeição que nos ensina a sermos moderados e a aceitar que temos um lado negro e um lado luminoso.
Ele é o Deus profeta, o deus do conhecimento enciclopédico e também da compreensão, não no aspecto intelectual de Atena, mas no metafísico. Protetor de rapazes, Deus das iniciações, Deus das tribos e comunidades, Deus da Cura e da Peste, Senhor da Purificação, do culto do corpo e da mente, de viagens no mar e dos estrangeiros, Apolo é um dos Deuses com esfera de ação mais vasta.
Há que ter em conta que é um Deus distante, mas que ao mesmo tempo entra nas pessoas para comunicar através ou com elas de uma forma por vezes tão violenta que no mito é descrita como violação.

Modos de venerar: os rituais são sobretudo do formato Olímpico, mas as festas de iniciação com mortes simbólicas e elementos mais "negros" também lhe pertencem e agradam.
Iniciar uma jornada de auto-conhecimento, analizar os próprios valores e a vida, mas também ajudar instituições relacionadas com a saúde e com ajuda ao estrangeiro são formas originais de agradar ao Deus. Como Deus das artes, qualquer forma de arte lhe é passível de agradar.

Símbolos: coroa de louros, trípode, arco e setas, espada dourada, jovem nu, lira

Animais: corvo, leão, cisne, golfinho, veado, rena, cabra, rato, lobo, gafanhoto, cigarra, falcão

Outras ofertas: fitas douradas, Péan e outros hinos e várias formas de arte, cereais e primícias várias, Thargelos (pão ou papa de vários cereais), rituais de purificação, loureiro, vinho, leite, mel, jacintos, aloés, ciprestes, olíbano, instrumentos de divinação, objetos do estrangeiro, pedaços do cabelo


Aline Santos é Jornalista,Terapeuta Holística,Taróloga, Cabalista, Professora, Educadora Patrimonial, Escritora, Palestrante, e Pesquisadora de Ciências Ocultas, e atende nas áreas de Florais de Bach, Fitoterapia, Aromaterapia, Terapia com cristais, Reiki, Cura Prânica e Tarô Terapêutico.
E-MAIL: arcanjo.azul@hotmail.com